sábado, 30 maio , 2020

Após declarações de Paulo Marinho, oposição e Moro cobraram oitiva

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O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) classificou as declarações do empresário Paulo Marinho como “gravíssimas” e afirmou que elas revelam “a interferência de Bolsonaro e de sua família na Polícia Federal antes mesmo do início de seu governo”. Líder da minoria no Senado, ele afirmou que vai pedir que o empresário seja ouvido no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Antes da manifestação da PGR, que incluirá depoimento de Marinho no âmbito do inquérito que investiga a suposta interferência do presidente na PF, a defesa do ex-ministro da Justiça Sergio Moro estudava fazer o pedido. Os advogados do ex-juiz da Lava-Jato iriam esperar até amanhã uma manifestação do procurador-geral Augusto Aras e da PGR sobre as declarações do empresário. “Espero que os fatos revelados, com coragem, pelo Sr. Paulo Marinho, sejam totalmente esclarecidos”, afirmou Moro no Twitter.

No sábado, a defesa de Moro argumentou que as trocas no GSI, reveladas em reportagem do Jornal Nacional, demonstram que “nunca houve por parte do presidente da República qualquer insatisfação com o serviço de segurança pessoal que lhe era prestado ou a seus familiares no Rio de Janeiro, tampouco qualquer dificuldade para realizar substituições na área, já que os responsáveis foram, logo antes da reunião ministerial do dia 22/4/2020, promovidos ou substituídos”.  Ao menos três movimentações no Gabinete de Segurança Institucional ocorreram nos últimos dois meses sem indícios de dificuldades para isso.

Alvo das denúncias, o senador Flávio afirmou que as declarações de seu suplente são “estórias” e “não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”. O parlamentar justifica, em nota, divulgada ontem, que Marinho tem interesse em prejudicá-lo. “Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão”, ataca, fazendo alusão sobre as intenções eleitorais por trás das revelações, já que Marinho pretende se candidatar à prefeitura do Rio de Janeiro. “Por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás?”, questina o senador.

Proteção policial

Após o desdobramento ao longo do dia, Marinho disse ter solicitado proteção policial a Wilson Witzel (PSC). “Em função de novas circunstâncias surgidas nas últimas horas, solicitei ao governador do RJ proteção policial à minha família e, após criteriosa análise das autoridades envolvidas, fomos atendidos. Seguiremos firmes lutando pela verdade e pelo Brasil”, postou o empresário nas redes sociais.

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