Dos 25 tratores adquiridos pelo órgão, 11 foram entregues no ano passado e 14 estão sem uso e sem definição de quando serão distribuídos. Outras 22 grades e carretas aradoras também estão paradas no pátio do órgão (foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS)

Auditoria para apurar irregularidades na compra e distribuição de 25 tratores – ao custo de R$ 2,5 milhões – para assentamentos em municípios mineiros constatou a ausência de critérios técnicos na escolha dos beneficiados e até mesmo falta de estudo sobre a necessidade de destinar máquinas para esses assentamentos.

Os veículos e carretas agrícolas foram comprados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) há um ano e meio. Desde então ficaram parados em pátios da Receita e do Incra em BH – como mostrou ontem o EM. No documento a que a reportagem teve acesso, os auditores do próprio órgão citam outros problemas graves, como recibos assinados sem que as máquinas fossem entregues e questionam se os tratores recebidos pelas prefeituras foram efetivamente destinados aos assentamentos rurais. Em resposta aos auditores, a Superintendência Regional de Minas Gerais admitiu que a escolha das prefeituras coube ao deputado Zé Silva (Solidariedade) e que não foram utilizados critérios técnicos no processo.
A auditoria concluída em julho aponta que a compra dos tratores não se baseou em dados e estudos técnicos feitos pelo Incra com as demandas dos pequenos agricultores. Uma das recomendações do documento é para que seja feita uma revisão sobre as máquinas que já foram entregues e que seja feita uma reavaliação sobre quais assentamentos realmente precisam das máquinas. Dos 25 tratores adquiridos pelo órgão, 11 foram entregues no ano passado e 14 estão sem uso e sem definição de quando serão distribuídos. Outras 22 grades e carretas aradoras também estão paradas no pátio do órgão.
“A decisão (de quais cidades devem receber tratores) não foi baseada em dados objetivos que demonstrassem o dimensionamento adequado e nem a relação dos beneficiários e das populações que seriam atendidas e da forma que seriam atendidas”, concluiu o documento. “Nos autos, não se constatou sequer a indicação se os municípios das cessões de uso possuíam assentamentos do Incra”, diz trecho do documento.

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