Médicos decidem manter greve em hospitais municipais do Rio

São muitos os que precisam de assistência e enfrentam, há meses, a situação crítica vivida pela saúde em clínicas e hospitais da cidade. O panorama é mais crítico no município, mas, sobrecarregados, os hospitais estaduais e municipais do estado muitas vezes também são problemáticos.

As filas são longas, faltam médicos, funcionários, equipamentos, medicamentos e estrutura nas unidades.

O motoboy Isaac de Sousa levou o pai para o Coordenação de Emergência Regional (CER) Leblon no começo da tarde de quarta-feira (11). Ele conta que esperou por atendimento por mais de cinco horas e que só uma médica atendia a todos os pacientes.

“Meu pai deu entrada no hospital por volta de 16h com princípio de infarto e agora, às 21h, eles dizem que o meu pai faleceu. Ele ficou em cima da maca esperando, esperando, até ir para o consultório, para esperar mais ainda. Porque só tem uma médica atendendo”, explicou o filho do paciente.

Isaac contou ainda que precisou implorar para o pai fazer um eletrocardiograma para ver o que estava acontecendo. Após muito tempo de espera, o paciente acabou morrendo.

“Eu tive que a forçar para dar uma atenção para o meu pai para pedir um eletro e, depois que ele fez o exame, ele ficou jogado em cima da maca, esperando o descanso dele vir. O meu pai faleceu com 53 anos. Novo né? Cheio de vida”, contou Isaac.

Hospitais Getúlio Vargas, Salgado Filho, Clementino Fraga. Com um tumor no rim e no fígado, o aposentado Geovane Gomes de Lima, de 83 anos, começou uma peregrinação no início de setembro, quando passou a sentir fortes dores na região dos rins. Ele pegou um pedido para ultrassonografia na Clínica da Família Aloysio Augusto Novis, na Penha, na Zona Norte do Rio, em 13 de setembro, mas até a publicação dessa reportagem, ainda não havia sido chamado para realizar o exame.

Para agilizar o diagnóstico, a médica recomendou à família que pagasse uma tomografia na rede particular. Depois da descoberta de uma massa, os parentes arrecadaram dinheiro para fazer uma ressonância para analisar o material. Apesar de ter classificação vermelha, a posição dele na fila do Sisreg (Sistema Nacional de Regulação) é 528 para uma consulta com urologista.

Ainda sem saber como tratar o câncer, o aposentado continua perdendo peso e sentindo dores. Ele conseguiu no Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo um pedido de tratamento para oncologia no Instituo Nacional de Câncer (Inca). Agora, segundo a burocracia, precisa levar o documento até a Clínica da Família para que possa ser encaminhado ao Inca, mas com a greve dos profissionais da saúde, não consegue encontrar funcionários no local.

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