quinta-feira, 21 janeiro , 2021

As cidades que pagam mais de R$ 45 mil a seus habitantes para terem filhos

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© Getty Images A taxa de natalidade da Finlândia diminuiu significativamente, como em muitos outros países europeus.

Desde 2013, todo bebê recém-nascido em Lestijärvi, um dos menores municípios da Finlândia, “vale” 10 mil euros (o equivalente a cerca de R$ 46,3 mil).

Naquele ano, o governo de Lestijärvi decidiu combater a diminuição das taxas de natalidade e a perda de população da cidade, onde apenas uma criança tinha nascido no ano anterior. O município introduziu um incentivo chamado “baby bonus”: qualquer residente que der à luz tem direito a 10 mil euros, a serem pagos ao longo de 10 anos.

Funcionou: desde então, quase 60 crianças nasceram no município, o que é mais que as 38 crianças que nasceram nos sete anos anteriores. Esses nascimentos representam um grande impulso para a vila de menos de 800 habitantes.

Jukka-Pekka Tuikka, de 50 anos, e sua esposa Janika, de 48 anos, são beneficiários de um “baby bonus”. Ambos são empresários do setor agrícola. A segunda filha deles, Janette, nasceu em 2013, a tempo de ganhar o apelido de “a garota de 10 mil euros”.

“Estávamos planejando ter um segundo filho havia algum tempo e estávamos ficando mais velhos”, explica Tuikka, “então não posso dizer que o dinheiro realmente influenciou nossa decisão de ter um bebê”.

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Mesmo assim, Tuikka acredita que o incentivo é uma medida importante que demonstra que os líderes locais estão interessados ​​em ajudar as famílias. Tuikka economizou a maior parte dos 6 mil euros (R$ 27,8 mil) que sua família recebeu até agora e planeja usá-lo de uma maneira que beneficie todos eles no futuro.

Um desafio para o país

Agora, vários municípios finlandeses também introduziram “baby bonus”, variando de 200 a 10 mil (R$ 927 a R$ 46,3 mil).

No entanto, apesar desses incentivos locais, a taxa de natalidade nacional da Finlândia não vai bem.

Como em muitos outros países europeus, a taxa de natalidade finlandesa diminuiu significativamente na última década: em 2018, atingiu um recorde mínimo de 1,4 filho por mulher, comparada a uma taxa de reposição (número necessário para que a população permaneça no mesmo) de 2,1. Dez anos antes, a taxa de natalidade era de 1,85.

A Finlândia tem muitos programas para famílias, incluindo o mundialmente famoso kit básico para bebês, um benefício mensal para crianças de cerca de 100 euros (R$ 463) por criança e uma licença de paternidade compartilhada que dura até nove meses com 70% do salário pago.

A professora de ciências sociais da Universidade de Tampere Ritva Nätkin aponta que, embora a Finlândia gaste mais dinheiro público em benefícios familiares do que a média da União Europeia, as políticas nessa área ficam para trás de outros países nórdicos, como a Suécia, que tem uma licença paternidade mais generosa.

A especialista cita a redução ou falta de aumentos de benefícios financeiros como pensão alimentícia e auxílio para cuidado das crianças em casa, além de incerteza econômica e climática, como razões para a queda na taxa de natalidade.

Então, a política de “baby bonus” é uma maneira eficaz de aumentar a taxa de natalidade?

Nätkin acredita que o fortalecimento dos incentivos financeiros para as famílias provavelmente ajuda a aumentar as taxas de natalidade até certo ponto.

No entanto, é improvável que apenas os incentivos financeiros, por si só, possam gerar um “baby boom”, diz ele, “principalmente porque os entendimentos das pessoas sobre ter filhos mudaram ao longo do tempo.

Em Lestijärvi, Tuikka acredita que a remuneração teve um impacto positivo nas decisões de alguns residentes de ter filhos, mas ele também duvida que a medida, sozinha, aumente a taxa de natalidade. “Mais importante, isso fez com que as famílias permanecessem no vilarejo em vez de sair daqui”, diz ele.

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