segunda-feira, 21 setembro , 2020

‘Não se assustem se alguém pedir o AI-5’, diz Guedes sobre Lula chamar ‘povo pra rua’

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© OLIVIER DOULIERY/AFP Guedes falou de Washington em coletiva de imprensa

Em uma entrevista coletiva de quase duas horas em Washington D.C., na noite desta segunda-feira, o ministro da Economia Paulo Guedes se exaltou ao comentar os discursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recém liberado da prisão, e afirmou que as palavras do líder petista levam ao acirramento das ações do governo Bolsonaro.

“É irresponsável chamar alguém pra rua agora pra fazer quebradeira. Pra dizer que tem que tomar o poder. Se você acredita numa democracia, quem acredita numa democracia espera vencer e ser eleito. Não chama ninguém pra quebrar nada na rua. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo pra quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”, disse Guedes, em referência ao período de 20 anos de ditadura militar que o país viveu.

Ao mencionar o Ato Institucional Nº5, instrumento da ditadura militar editado em 1968 que fechou o Congresso e cassou as liberdades individuais, Guedes faz referência à afirmação do deputado federal e filho do presidente Eduardo Bolsonaro, que no fim do mês passado afirmou que poderia haver a necessidade de reeditar o AI-5 caso a esquerda radicalizasse.

Naquele momento, os bolsonaristas viviam a expectativa de Lula ser solto pelo Supremo Tribunal Federal, o que de fato aconteceu dias mais tarde. Depois da soltura, Lula tem chamado Paulo Guedes de “exterminador de empregos” e feito discursos inflamados contra a gestão Bolsonaro.

Segundo Guedes, a polarização entre PT e Lula é responsável pelo projeto de Lei enviado pelo Planalto ao Congresso essa semana para instituir o excludente de ilicitude para policiais e agentes do Exército que estejam nas ruas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Pelo texto do projeto, aqueles que usem de força excessiva no exercício da função não sofrerão punições criminais: “Não sei quem está pedindo pra o povo ir pra rua pra quebrar tudo. Tudo bem? Não sei quem está pedindo pra botar a excludente de ilicitude: ‘você vem pra rua’, a gente amansa essa bagunça aí na rua. Vamos embora, vamos escalar isso aí.”

Guedes comentava o fato de as reformas administrativa e tributária estarem tramitando em ritmo lento no Congresso, por orientação do presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com Guedes, Bolsonaro estaria preocupado que o país fosse contaminado pelas agitações sociais que atingiram outras nações na região, como o Chile, o Equador, a Bolívia: “É verdade que desacelerou. Quando começa todo mundo a ir pra rua por ‘no apparent reason’, você não sabe qual é a razão, você fala: ‘não, para tudo pra gente não dar nenhum pretexto, vamos ver o que está acontecendo primeiro. Vamos entender o que está acontecendo'”, justificou Guedes, que afirmou que “o presidente tem um ótimo instinto político, tanto que ganhou a eleição contra tudo e contra todos”.

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