Os pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) vão lançar em dezembro um novo tipo de exame de próstata no mercado da saúde. A informação foi divulgada nesta semana, dentro do mês de conscientização da doença, o Novembro Azul.

Segundo a UFU, haverá uma nova forma de diagnóstico do câncer de próstata, na qual se analisa o sangue do paciente, que estava sendo desenvolvida pelos cientistas coordenados pelo professor Luiz Ricardo Goulart Filho, do Instituto de Biotecnologia (Ictec/UFU).

O objetivo dos cientistas é que, além da rede privada, a tecnologia chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS). O registro de patente brasileira, americana e europeia já foi solicitado pelo pesquisador. Segundo ele, a pesquisa está em estágio de conclusão.

“Em dezembro, ele vai ser implantado em um laboratório privado como pesquisa de validação de estágio final clínico e, provavelmente em abril ou maio, ele será lançado no mercado definitivo nacional e no internacional a partir de junho ou julho”, explicou Goulart.

Professor Luiz Ricardo Goulart Filho coordena desenvolvimento da biópsia líquida — Foto: Marco Cavalcanti/Divulgação

Diferencial

Conforme os pesquisadores, o novo exame é chamado de biópsia líquida, pois se analisa o sangue do paciente. No laboratório, esse sangue passa por duas máquinas: uma centrífuga, que separa as suas partes, e um citômetro de fluxo, que conta e classifica essas partes.

Assim, é possível observar a presença de células normais, que se desprendem dos órgãos no processo natural de renovação, e também a presença (ou não) de células tumorais. O resultado sai em menos de três horas, com uma precisão de 96% a 97% e a um custo aproximado de R$ 100 por paciente.

Financiamento

A pesquisa foi financiada por meio de uma parceria público-privada, envolvendo recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e da empresa privada BioGenetics, de Uberlândia.

Essa empresa começará a implantar o exame a partir de dezembro, mas Goulart espera que a tecnologia também chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Depende de política pública. A gente tem que apresentar para o governo qual é o impacto econômico. Vai ter um impacto em termos cirúrgicos e de números de biópsias. Mais de 75% dos homens vão pra mesa cirúrgica fazer biópsia desnecessariamente”, afirmou.

Custos

Segundo a universidade, manter um laboratório como o de Nanobiotecnologia da UFU, que funciona há 30 anos, custa aproximadamente R$ 1,5 milhão por ano, sem considerar as bolsas dos pesquisadores, de acordo com Goulart. São 102 cientistas: 60 usuários permanentes e 42 que vêm de outras instituições.

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“É uma infraestrutura muito forte e muito cara. Para manter, precisa de muito investimento. Hoje, graças às empresas privadas que financiam aqui é que eu tenho condições de dar manutenção, senão, eu não teria, porque o governo não tem condições de dar manutenção para um laboratório desse porte”, analisou o professor.

Uberlândia

Segundo a Prefeitura de Uberlândia, até o final deste mês, as equipes da atenção primária da Secretaria Municipal de Saúde realizarão várias atividades nas unidades para reforçar a campanha Novembro Azul.

Serão workshops, palestras e ações sobre assuntos relacionados à saúde do homem, bem como serviços, solicitação de exames e outras atividades. As atividades ocorrem para lembrar a importância do diagnóstico precoce, conforme aponta a coordenadora da atenção primária, Karina Kelly de Oliveira.

“O trabalho é feito todos os dias, mas o mês de novembro é um marco, onde chamamos a atenção para a saúde do homem. Os números mostram que a doença está aí e eles precisam fazer os exames de prevenção, além de cuidar da saúde de uma forma geral”, destacou.

Câncer de próstata

Segundo o Ministério da Sáude, o câncer de próstata é o tumor que afeta a próstata, glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. Esse tipo de câncer é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele.

2018 no Brasil

As estimativas apontam 68.220 novos casos em 2018. Esses valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens, além de ser a segunda causa de morte por câncer em homens no Brasil, com mais de 14 mil óbitos.

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