Oh! Iturama, quem te conhece não esquece jamais

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Não tenho a intenção de inovar. Tudo que vimos, vivenciamos ou escrevemos, pode ser considerado como de domínio popular. Todos nós sonhamos, monologamos ou escrevemos o que sentimos ou o que nos vem à alma.

Hoje, pretendo com o “Meu Kantinho”, voltar ao ciclo de ouro do século passado, repetindo no presente o que nossos poetas, nossos escritores escreveram em linhas e em versos e nossos cantores cantaram nossa história, enfatizando Minas Gerais e eu quero transportar tudo aquilo para a nossa Iturama, bonita, altaneira, cravada no pontal do Triângulo, por onde Minas respira, como já foi dito por alguém que muito ama Iturama e por ela fez o que pode fazer.  São excertos compilados (com adaptações), de poemas e canções do livro “Bemge em Serenata”(1991). Bemge era a sigla do antigo Banco do Estado de Minas Gerais S/A, que com agência em nossa cidade muito atuou no ramo financeiro. Então vamos lá relembrar dizendo aos jovens de agora o que a velha guarda viveu.

Abri a janela e olhava ao longe o horizonte de minha cidade, ouvindo o sino da Igreja de Santa Rosa de Lima batendo a Ave Maria… O horizonte se encandecia e minha alma se escondia no acabar do dia.

A noite corre em sossego, mas não dorme quem tem amores e o meu coração delira mal vem o apontar do dia. E eu vejo Iturama, que me parece um sonho com suas nuvens brancas esparsas pelo ar e acrescento: Outra cidade não há igual para o meu pensar, principalmente lembrando quando vim para cá aonde em uma casa pequenina com um coqueiro ao lado eu vim morar e onde meu amor nasceu.

E quando a noite a linda lua torna as ruas de prata? Iturama sai a elas transformada em serenata.

Quem me dera outra vez ver esse passado, essa era ditosa em que eu vivi quantas vezes na viola, debruçado e cantando adormeci. Oh! Iturama… Quem te conhece não esquece jamais!

Essa cidade sempre cumprindo seu ditado de que quem bebe de sua água sempre volta, assim acontece e abriga gente de todos os lados.

É como dizia o compositor José Braz de Andrade (Maestro Delê) em sua composição “Fantasias de Minas Gerais” gravada em 1981, um ano depois de sua morte: “Você já foi a Bahia? Então vá ver Minas Grais” e em Iurama onde você vê muito mais.

Já andei caminhos tão longe de minha terra, mas nada se iguala a este lugar tão lindo, onde quero minha vida encerrar.

Minha Iturama: nossos poetas em versos tão belos, o escritores em contos tão singelos, todos já contaram a sua beleza e de como era a casinha branca da serra; o acordar de Maria Bonita que se levantava e ia fazer o café…

Tudo em volta é beleza, o sol de abril, a mata em flor, como canta o Assum Preto, sempre com amor…

Ai que saudades que tenho dos bailes de outrora, nas noites de serestas nas noites de lua; já não se dança mais aquelas valsas tão lindas,  que falta nos faz hoje; que saudades infindas…

É você Iturama, minha cidade maravilhosa, para mim cheias de encantos mil, encravada no Triângulo Mineiro do meu Brasil!

Por isso, Iturama, por todas essas lembranças, dos amores e dores, das luas prateadas, das canções ouvidas, sentidas e repetidas; das flores e cores, é que eu quero quando eu for embora para bem distante, ao fim da vida da qual sou amante e chegar a hora de dizer-lhe adeus, deixe que eu olhe só por mais um instante, a belezas que Deus lhe deu.

Vou chorar com saudades do luar e que a lua se de mim sentir saudades, o meu jazigo visitar, na campa solitária, escura e fria, para onde todos nós vamos morar um dia, aceite estas linhas de lembrança de uma Iturama que tanto queremos e que felizes vivemos…

Oh! Minas Gerais (que Iturama me deu),

Oh! Minas Gerais (que bom ser filho seu)

Quem te conhece, não esquece jamais!

 

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