Plano de Santos para nova Vila prevê demolição do estádio, investimento de R$ 234 mi e parceria com Pelé

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O Santos já tem agendado para 14 de abril, mesma data de aniversário do clube, um encontro com representantes do grupo de investimentos Bolton Holding Group para tratar do projeto de reconstrução da Vila Belmiro.

“O projeto é criar uma arena de até 21 mil lugares, capaz de ser palco de entretenimento para a cidade, recebendo não só os jogos do time, mas também shows, grande shows. Há uma carência de locais assim na Baixada Santista”, disse o presidente José Carlos Peres para a reportagem.

Segundo o mandatário, o escopo do projeto, que foi discutido por ele durante uma viagem de duas semanas pelo Oriente Médio e também pela Ásia, liberaria a nova Vila Belmiro para ser explorada pelo grupo Bolton por 30 anos, incluindo participação nas rendas de jogos e shows e na comercialização de naming rights.

“Outra possibilidade é a venda do nome por setores do estádio. Já pensamos em dividir a Vila em seis setores para eles comercializarem os nomes. Na Europa se faz isso. O que nos foi assegurado é que o Santos não terá gastos nestes 30 anos. O retorno será garantido operando a nova arena”.

Durante o encontro em Dubai, Peres teve conhecimento de que o negócio gira na casa de 60 milhões de dólares (hoje, R$ 234 milhões). “Mas não é que vamos fechar por isso. Estamos fazendo um orçamento”.

Participação de Pelé

Outro detalhe da negociação é que o grupo, que é conhecido no mercado internacional por ser o detentor da criptomoeda Bolton Coin (BFCL), quer envolver Pelé de alguma maneira dentro da “operação Vila Belmiro”.

Mas Peres acredita que um eventual fracasso em ter o camisa 10 como “garoto-propaganda” (uma dentre tantas possibilidades) não afetará a negociação para a transformação da Vila.

“O Pelé é uma pessoa incrível, conhecido no mundo todo e o Grupo Bolton vê com bons olhos a possibilidade de tê-lo como parte do projeto para fazer ações internacionais, em Dubai ou na China. Mas caso não seja possível viabilizar a participação dele diretamente no projeto da Vila Belmiro, creio que nada mudará para nós”.

Cuidados na negociação

Questionado sobre a credibilidade do grupo, que não é muito conhecido no Brasil, e também se não poderia ser uma negociação arriscada com “aventureiros no futebol”, o mandatário disse estar tranquilo.

“O dono do grupo é um bilionário italiano, que mora em Dubai há seis anos. O encontrei no Burj Khalifa [um dos mais famosos arranha-céus do mundo]. Ele é torcedor da Juventus e um empresário que investe na área de edificações, construções na área civil. A Vila será o primeiro empreendimento na área esportiva”, afirmou Peres.

“Chegamos a ele graças a um vereador de Santos e fizemos levantamos. O grupo é sério. Olhamos todo o escopo. O que eles podem, querem, quem são. Hoje há mecanismos jurídicos que nos dão segurança para fazer esse tipo de negócio”, completou o presidente.

© Divulgação/Santos José Carlos Peres, presidente do Santos, em entrevista coletiva

Derrubar a Vila

Peres também admitiu que essa transformação do estádio envolve um tema polêmico. Para acontecer, a Vila Belmiro teria de ser totalmente derrubada, o que possibilitaria começar o projeto do zero.

“Tem de modernizar o estádio completamente e é muito mais fácil e muito mais rápido dessa forma. Quem não concorda tem de entender que o solo, o campo, são sagrados, mas a estrutura, não. Ela tem de ser transformada para dar conforto e acomodar bem os torcedores, ser facilmente acessada, ter bares, restaurantes”, disse Peres.

“Construir uma sala nova é mais rápido e eficiente do que refazer uma que já existe”, exemplificou.

Convencer o Conselho

O presidente admitiu que ficou entusiasmado com as promessas que escutou do Bolton Holding Group, mas sabe que a evolução da negociação depende bem mais do que o encontro marcado para 14 de abril.

A aprovação de um projeto deste porte precisa ser submetida à votação do Conselho. Há vozes contrárias temendo o grupo Bolton, pouco conhecido. Outros não gostam da ideia de ter que derrubar o estádio.

“Quando apresentarmos o projeto, com os números, com a ideia da nova Vila Belmiro, vamos surpreender muitos”.

Até que isso ocorra o torcedor santista terá de esperar até 11 de abril, data que o clube deve voltar a usar o estádio centenário. Durante os três primeiros meses desse ano a casa santista passou por algumas obras estruturais. O gramado foi reformado e outras áreas foram modificadas. O Santos ainda não recebeu os laudos dos bombeiros

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