A Justiça condenou três dos quatro acusados de matar Greiciara Belo Vieira em agosto de 2016 em Ituiutaba. Na época, ela estava grávida de oito meses e foi assassinada para ter o bebê roubado. Todos vão responder por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver, subtração de incapaz.

A soma da condenação passa de 80 anos de prisão. Shirley de Oliveira Benfica, apontada como mandante do crime foi condenada a 33 anos e sete meses; Jacira Santos de Oliveira (enfermeira) a 28 anos e três meses; Michel Nogueira de Oliveira condenada a 25 anos e nove meses. Já Luís Felipe Morais foi absolvido, pois o júri entendeu que ele não teve nenhuma participação nos crimes.

A sentença foi dada na madrugada desta sexta-feira (22). Foram cerca de 14 horas de júri popular.

Em julho de 2017, outros dois jovens também denunciados pelo crime foram condenados, sendo Lucas Mateus Silva foi condenado a 19 anos e oito meses de prisão e Jonathan Martins Ribeiro de Lima, a 25 anos e nove meses, ambos em regime fechado.

Morte com requintes de barbárie

As investigações da Polícia Civil concluíram que Greiciara foi morta com requintes de barbárie. A vítima morava em Uberlândia e, durante a madrugada do dia 19 de agosto de 2016, a quadrilha sequestrou a jovem com o intuito de tirar o bebê que ela esperava.

A ex-garota de programa, Shirley Benfica, foi apontada como mandante do crime. Segundo a polícia, ela simulava uma gravidez para o namorado, de Araguari, e resolveu roubar a criança para continuar mantendo a farsa.

Para isso, Shirley pediu a ajuda de uma amiga travesti, conhecida como Mirela, que mora em Ituiutaba e era amiga de Greiciara. Se conseguissem roubar a criança, Shirlei iria recompensar Mirela com dinheiro e um aparelho celular.

Conforme a polícia, Mirela foi para Uberlândia se encontrar com Shirley e, em seguida, as duas se dirigiram até uma casa no Bairro Santa Mônica, onde os outros quatro réus estavam. Todos foram contratados pela mandante para cometer o crime, de acordo com o processo.

Ainda segundo a investigação, a travesti Mirela teria convencido a vítima a ir com ela até a casa no Bairro Santa Mônica sob a alegação de que possuía roupas para o enxoval da criança. No local, a vítima recebeu uma bebida com medicamento de indução ao sono. A investigação também aponta que os réus levaram a vítima para a zona rural de Ituiutaba, onde foi submetida ao procedimento cirúrgico para a retirada da criança.

Greiciara foi encontrada morta dentro de uma represa, enquanto duas pessoas faziam trilha de bicicleta por uma estrada de terra. A vítima estava com os pés amarrados por um tecido e o corpo estava envolvido por uma tela de arame junto a uma pedra. Além disso, a grávida tinha o abdômen aberto e as vísceras expostas.

Em depoimento à polícia, os suspeitos disseram que a vítima ainda estava viva quando a criança foi retirada e que ela gritava de pânico e dor, apesar de estar dopada. O grupo foi preso.

Criança ficou com a família

A criança foi localizada com vida na casa da vizinha de Shirley, onde havia sido deixada para que a suspeita pudesse ganhar tempo e fingir um parto. Segundo a polícia, a vizinha não teve participação no crime e, por isso, não foi indiciada.

A mãe de Greiciara conseguiu a guarda definitiva da neta após resultado do exame de DNA comprovando o parentesco.

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